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Mais de 50 detentos são aprovados no Enem, 58% a mais que no ano passado

A crescente participação de internos nas atividades educacionais promovidas pela Susipe garantiu a aprovação recorde no Enem para pessoas privadas de liberdade

Depois de atingir o maior número de participação nas provas do Enem para Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) 2016, levando 720 internos para as salas de aula de presídios e centrais de triagem da Região Metropolitana de Belém e do interior do Estado nos dois dias de exame, a educação prisional atinge novo recorde, contabilizando 57 detentos aprovados no Enem PPL 2016. O número representa aumento de 58% em relação às aprovações do ano passado.

“A cada aplicação do exame, superamos as expectativas. Isso comprova que estamos fortalecendo as ações educacionais com qualidades nas unidades penitenciárias. Sabemos que precisamos ainda mais incluir internos em atividades educacionais, por esta ser uma das formas de reinserção social. É um grande trabalho de todos que fazem a educação no cárcere”, diz a coordenadora de Educação Prisional, Aline Mesquita.

Após os resultados, os detentos serão inscritos de acordo com a pontuação obtida no exame para uma vaga na universidade pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas parciais ou integrais na rede particular para pessoas de baixa renda ou do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece bolsas de estudo na rede pública. Eles também poderão usar o resultado da prova para obter a certificação do ensino médio.

O Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), em Marituba, foi a unidade prisional com o maior número de aprovações, 13 no total. Em segundo lugar ficou a Central de Triagem Metropolitana II (CTM II), em Ananindeua, com seis detentos aprovados. No interior do Estado, o Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura (Crashm) e a Central de Triagem de Marabá (Ctmab) foram as casas penais com o maior número de aprovados, com três internos em cada unidade.

Conquista – Aprovado no Enem PPL e agora com a expectativa de ingressar no ensino superior pelo Sisu, o detento Nivaldo Barros, 48 anos, fez pela segunda vez o exame na casa penal (na primeira ele não foi aprovado). Durante a preparação para a prova, ele frequentou os aulões do Pro Paz ministrados na unidade e teve a ajuda de amigos e familiares que levavam material de estudo nas visitas.

“Eu lia muito, tinha conteúdo, mas não sabia como aplicar o conhecimento. Foi com esses aulões que tive um norte para fazer a prova. Os professores deram muitas dicas que foram essenciais, como analisar muito bem o enunciado da questão e fazer uma boa interpretação. Eles explicaram que poderíamos encontra as respostas, algumas vezes, no próprio comando, e isso aconteceu mesmo”, conta.

Maior nota da redação entre os aprovados do CTM II, contabilizando 760 pontos, o interno afirmou que não sentiu dificuldade para desenvolver o tema sobre as alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil. “Nesses dois anos que estou aqui, tenho praticado muito a leitura, e isso me ajudou bastante na hora de fazer a redação. Nesse tema abordei a trajetória dos alimentos, que considerei o principal motivo do desperdício, no momento do transporte e distribuição. O empenho de todos para evitar isso foi a solução que dei, além da criação de grupos de assistência para fazer a coleta e arrecadação alimentos que ainda podem ser aproveitados”.

Também custodiado no CTM II, o interno Diógenes Freitas, 35 anos, participou do Enem. Foi logo na primeira tentativa que fez a pontuação mais alta entre os aprovados da casa penal, totalizando 3.086 pontos na somatória das provas. “Comecei minha preparação intensiva dois meses antes do exame. Tenho facilidade na área de exatas, e acho que isso contribuiu para a minha pontuação. Fiquei muito feliz quando soube que tinha sido aprovado. Agora minha expectativa é a classificação no Sisu. Eu me inscrevi para Saneamento Ambiental como primeira opção e Estatística como segunda. Tenho o sonho de fazer uma faculdade, e quem sabe será essa a minha oportunidade”, anseia. Caso seja classificado para o ensino superior, o interno, que cumpre o regime fechado, dependerá de autorização judicial para cursar a universidade.

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